Pesquisadores do Intermountain Medical Center Heart Institute descobriram uma associação entre os elevados níveis de largura de distribuição de eritrócitos e a depressão em pacientes tratados por doença cardíaca. Esta nova descoberta pode ajudar os médicos a fornecer diagnóstico precoce e tratamento para possível depressão em pacientes cardíacos.

A largura de distribuição de eritrócitos ou RDW é um parâmetro que mede a variação no tamanho de células vermelhas do sangue (eritrócitos) ou do volume eritrocítico. Uma RDW elevada (mais de 14,5%) significa que os glóbulos vermelhos variam muito em tamanho. Uma RDW normal é de 11,6% a 14,6%, mas os pesquisadores do Instituto Cardiológico do Centro Médico Intermountain descobriram que os pacientes com um nível de RDW maior ou igual a 12,9% tiveram um risco aumentado de depressão.

O novo estudo revelou que quanto maior era a RDW, maior era o risco de depressão dos pacientes. Esta é a primeira vez que é identificada esta associação.

Os resultados do estudo serão apresentados durante as Sessões Científicas da American Heart Association, em Dallas, na segunda-feira, 18 de novembro, às 09:30, horário do leste.

“As elevadas larguras de distribuição dos eritrócitos estão associadas a anemia, mas também parecem estar associadas a outros resultados desfavoráveis, como ataques cardíacos, insuficiência cardíaca, morte e agora, depressão”, disse Heidi May, PhD, MSPH, a principal pesquisadora do estudo do Instituto Cardiológico do Centro Médico Intermountain, em Murray, Utah.

Este estudo observou 43.226 pacientes e os avaliou durante uma média de 5,3 anos, identificando os níveis de RDW dos pacientes no momento do diagnóstico e comparando-os com um diagnóstico de acompanhamento depressão.

A RDW é testada rotineiramente como parte do hemograma completo e geralmente se utiliza em combinação com outros testes para diferenciar formas de anemia. Os testes detectam pulsos que são produzidos por células vermelhas do sangue. Quanto mais fortes são os pulsos, maior é o tamanho dos eritrócitos. Da mesma forma, quanto mais fracos são os pulsos, menor é o tamanho dos eritrócitos.

“Os pacientes e médicos devem estar mais cientes de que a depressão pode ser um desses resultados desfavoráveis e devem ser mais diligentes na triagem para detecção da depressão entre os pacientes que têm uma RDW elevada”, relata a Dra. May.

Estudos anteriores mostraram também que a RDW é um poderoso indicador de resultados ruins, particularmente entre pacientes cardiovasculares. No entanto, a depressão nunca foi estudada como um possível resultado para os pacientes cardíacos, conforme revela a Dra. May.

“Com esses achados, os médicos devem ser mais conscientes desta associação e notar que os pacientes cardíacos com uma RDW elevada correm um maior risco de depressão”, ela assevera. “Isso deve encorajar os médicos a ser mais diligentes na triagem para identificação da depressão e tratá-la da forma correspondente.”

“Este estudo é importante porque é o primeiro a mostrar uma associação entre RDW elevada e depressão em pacientes cardíacos”, explica a Dra. May. “Nossa esperança é que outros estudos possam ser desenvolvidos para analisar esta associação em diferentes populações, incluso uma população médica mais geral, para determinar se esta ligação permanece.”

Os achados deste estudo persistiram apesar dos ajustes em relação aos fatores de risco, medicamentos e indicadores de outras doenças. Estudos adicionais serão necessários para determinar se a associação é causal, onde a depressão seja um resultado do tamanho anormal dos eritrócitos, da anemia ou de alguma outra comorbidade.

Fonte: Medcenter.com